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Estrangeiros na Transiberiana?



Quanto aos meus colegas de vagão, um fato curioso sobre esta jornada na Transiberiana. Neste detalhe a minha percepção desta viagem divide-se em duas partes: "Praticamente somente locais" (trecho de Moscou a Ulan-Ude) e "praticamente sem locais", (de Ulan-Ude a Pequim).

De Moscou a Ulan-Ude...

Como relatei em algum ponto do trajeto russo, nos primeiros dias não encontrei uma pessoa sequer que não fosse russa! Lembro-me bem quando cheguei em Ekaterimburgo, e a guia (russa) que me esperava me cumprimentou inglês e nossa conversa fluiu sem travas, sem gestos e praticamente tudo foi compreendido! Eu normalmente dou minhas travadas no desenrolar de um diálogo em inglês, mas aquele dia, definitivamente era fluente! 

Esta sensação que às vezes surge numa viagem dessas, que às vezes é banal em outro cenário e que na verdade consiste apenas no desafio de "ser compreendido", é certamente algo que me fascina! Asseguro que é uma experiência que precisa ser vivenciada e na Transiberiana não é muito difícil que isso aconteça: viaje na terceira classe, de preferencia em baixa temporada!


De Ulan-Ude a Pequim...

Quando deixei a Buryatia e embarquei para a Mongólia o cenário mudou completamente, e não foi só no sentido literal da palavra. Com a mudança de país, vieram as mudanças de regras, de leis e de companhia ferroviária: "aqui estrangeiros não pegam qualquer trem". Trens melhores, significam mais conforto e portanto proporcional acaba sendo o desembolso. Trens mais caros, significam mais turistas à bordo, e foi aqui que, pela primeira vez, minha colega de cabine era uma "não local", neste caso uma alemã, que também se aventurava sozinha na maior ferrovia do mundo.

No trajeto de UB (não seja chato e deixa-me tratar a capital da Mongólia de maneira "cool" e carinhosa chamando-a através da sua sigla como se fosse LA ou NYC, afinal além de representar muito pra mim é "cool" mesmo) até Pequím, essa coisa de "estrangeiros-plantando-bandeira-e-ocupando-o-vagão-todo" explodiu de vez! Cara, era um hostel sobre trilhos!


Foi legal, quem sabe o mais legal! Em todo aquele largo trajeto, faltava este momento de interagir com outros viajantes "não locais" e trocar experiências sob o mesmo ponto de vista de "estrangeiro". No mesmo vagão éramos um Brazuca, um Espanhol, um Suíço, um Italiano-casado-com-uma-Peruana-que-viveu-no-Brasil, dois Alemães, uma Mexicana, um Francês, duas Mongóis e mais alguns Chineses que não consegui contar direito porquê eram todos iguais e acabei me confundindo!

Este trajeto que além de ser marcado por um dos desertos mais famosos do mundo, por uma fronteira bem curiosa e pela grande expectativa que é estar tentando avistar a Grande Muralha que aparece em apenas 1 dos seus 1551 Km, foi extremamente marcante pelas pessoas que conheci à bordo!

Na foto incial, os passaportes dos oito indivíduos que estavam amontados na minha cabine jogando um jogo de baralho que não entendi nem as regras e nem o nome, mas que acho que ganhei no final!



Abraço maior que o Atlântico!

Fon

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