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O Enterro da Sardinha


Até parece coisa séria.
[Aí vem bobagem!] "Hoje foi um dia muito triste aqui na Ibéria. Infelizmente participamos da marcha fúnebre para o Sepultamento da Sardinha. Me custou muito escutar todas aquelas palavras entoadas com tanto jeito pelo mestre de cerimônias, e confesso que meu coração ardeu junto em chamas quando as primeiras tochas foram acesas. Que vá em paz, nobre e aclamada Sardinha".

Pois bem, como já escrevi aqui antes, os Espanhóis tem um costume meio estranho de "queimar as coisas". Nas principais celebrações a nível nacional, o fogo parece ter sempre seu momento de atenção! Como se não bastassem as Fogueiras de São João, hoje participei do Enterro da Sardinha. Na verdade, não é bem um enterro mas sim uma cremação.


Tentarei explicar, da mesma maneira que me explicaram. O Rei Carlos III, lá pelas tantas dos 1700, resolveu, numa quarta feira de cinzas, presentar o povo da Espanha com uma festa regada a muita sardinha. Esta seria uma maneira de fortalecer os costumes cristãos, afinal o período da Quaresma acabara de começar, e por quarenta dias não se consumiria carne.

Era pra ser uma sardinha...
Por muita má sorte, aquele dia de início de primavera, esquentou muito e as sardinhas começaram a apodrecer mais rápido que o normal. O resultado foi que o odor era tão grande que o monarca ordenou que os peixes fossem enterrados. A população, bem humorada, organizou uma marcha fúnebre para o "sepultamento" da sardinha.

De lá pra cá, várias cidades espanholas celebram o fim do carnaval, ou o início da quaresma (como queiras interpretar) através desta cerimônia, que ao meu ver é super cômica. É um momento de descontração onde o povo tem a oportunidade de escrever algumas notas, que são lidas em voz alta, contendo coisas que querem enterrar (queimar) junto com a sardinha.
A maioria das pessoas escreve coisas bobas como "a falta de cerveja", "as mulheres feias" e as "as más notas na universidade", mas existem outros que apelam mais seriamente, envolvendo temas políticos e culturais, mencionando por exemplo antigos conflitos entre Moros e Cristianos.

Para fazer o ritual, fazem uma escultura de uma sardinha e saem desfilando pelas ruas da cidade simulando uma procissão rumo ao sepulcro. No final, ao invés de enterrá-la, ao som de muita música, ateiam fogo a tudo e comemoram a queima da sardinha, junto àquilo que queriam que não ocorrera mais em suas vidas.

De primeira vista parece estranho, mas juro que eles também acham estranho o que fazemos na Sapucaí!

Por hoje seria isso,

Um abraço do tamanho do Atlântico.

Fon






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