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Las fiestas de San Fermin, Pamplona.

Fim do encierrro na Plaza de Toros de Pamplona
"São Fermino, a festa mais polêmica da Espanha!"


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Em uma das pesquisas que fiz, vi uma definição interessante para as festas de San Fermin: "Uma festa em que todos comem e bebem como se não houvesse amanhã". De fato, passei por essa essa experiência em 30 horas consecutivas de Pamplona. Antes de iniciar o post de verdade, deixo duas coisas bem definidas:

  1. Não sou adepto de práticas violentas com animais, mas respeito este ato da cultura espanhola assim como respeito qualquer outro momento de qualquer outra cultura que conheci.
  2. Em espanhol "corrida de toros" é a tradicional tourada e "encierro" é a corrida de Pamplona, onde as pessoas correm junto com os touros. É fácil de confundir e falar besteira por aí!





San Fermin ocorrre durante nove dias no mês de Julho e minha primeira impressão foi de parecer um Carnaval Brasileiro mesclado com uma Oktoberfest à moda espanhola. Como cheguei na cidade às cinco da manhã, encontrei de cara muitas garrafas vazias espalhadas pelo chão e uma profusão de bêbados caídos antes de completar o percurso de volta pra casa. O cheiro de urina, quase sempre presente, reforçou bem a impressão.

Saí da estação, sem mapa e sem ter a noção de onde ir, mas não foi difícil saber onde seria o "encierro", afinal todas as pessoas pareciam seguir para uma mesma direção e seguindo-as em pouco tempo fui parar em frente a Plaza de Toros.

Antes mesmo do sol nascer os "carpinteros", utilizando vestes marrons, iniciavam seus trabalhos montando as barreiras que demarcam o trajeto do encierro. Em trabalho em conjunto a polícia afastava as pessoas da "pista" e eliminava aqueles que pareciam muito bêbados e ainda queriam correr. Os bêbados recebiam um adesivo na camiseta, que depois seria exibido com orgulho! Bobeira!



Os displays informam os dados dos animais presentes na arena.


Depois de montadas, as barreiras, são concorridas por aqueles que querem ver a maior atração da festa. E não é fácil tomar um lugar. As barreiras da frente, as que estão em contato direto com os touros, não são ocupadas e acabam sendo a posição da polícia, do resgate e da imprensa. Embora eu tenha tentado, não consegui minha posição pois havia chegado tarde. O jeito foi comprar um ingresso e assistir o encierro dentro da Plaza de Toros.

Quem nasce me Pamplona corre no encierro porque se orgulha desta tradição. Os estrangeiros são atraídos pela adrenalina. Pela tradição, as esposas e namoradas pagam churros e chocolate quente para os rapazes que correm. Os corredores levam em uma das mãos um jornal enrolado, com a mão esticada para trás, ele serve como um aviso, caso algo chegue muito perto. Assim, reduz-se o risco de cair ou atropelar alguém olhando para trás para ver onde estão os touros.

Pois bem, entrei na Plaza, procurei meu lugar e abri minha sangria e meu bocadillo, como a maioria fazia ali. As estatísticas dos touros eram exibidas num telão. Nesse, dia correriam Calderero (585kg), Incapaz (565kg), Heroína (605kg), Malicioso (595kg), Guardés (610kg) e Flamante (650kg). As oito em ponto, surgiu no telão o foguete que dava inicio ao encierro. A porteira foi aberta e os touros saíram em fúria pela rua. 


Pouco a pouco vinham ganhando distância e chegando perto dos corredores. O desafio maior era ultrapassar a "curva de la estafeta": Uma esquina de noventa graus, onde acontece o maior número de acidentes. Passada ela, se está na última reta até a Plaza de Toros.

 Em menos de dois minutos os primeiros corredores já atingiam a Plaza. Foi aí que, por uma fatalidade, Pamplona vivenciou um "tapón histórico": Logo na entrada, um dos corredores caiu, e serviu de obstáculo para os demais, que acabaram por cair também. O tumulto foi aumentando com  a chegada de mais e mais pessoas que vinham antes dos touros.

Num momento seguinte, já não se podia mais sair do amontoado de pessoas e os que estavam mais a frente estendiam suas mãos pedindo de ajuda. Segundos depois, os touros que vinham correndo das ruas atingiram o "tapón" e o que se via era um grande mistura agoniante de pessoas e touros. Que fatalidade!


A Curva da Estafeta, o ponto crítico do encierro.


Com a ajuda do resgate as pessoas foram escapando e entrando para arena da plaza. E assim, o "tapón" aos poucos se desfez. O resultado foi mais de duas dúzias de pessoas hospitalizadas, que saíram carregadas pelas equipes de resgate. Para os que têm curiosidade, no fim do post, segue um vídeo mostrando o que tentei descrever.

Mas o encierro não acaba por aí. Depois de que a situação fosse reordenada, os touros seriam soltos novamente para que os corredores mais metidos se fizessem de toureiros e os encarassem. E assim se fez. Lógico, que o público vibrava quando alguém era atingido. Alguns se tornavam ídolos por alguns instantes, quando conseguiam segurar nos dois chifres do touro e sair carregado. No mínimo, estúpido!

Os Pastores, são antigos toureiros, ajudantes ou aspirantes a toureiros que auxiliam no trabalho de recolhida dos touros. Eles entram na arena conduzindo um grande touro, maior que e mais imponente, porém "domesticado", que parece impor respeito aos demais toros. Com bastões eles fazem com que o touro corra até a porteira que leva ao curral. E assim o encierro do dia se acaba. Os seis animais que correram o encierro serão os touros da tourada do fim do dia.

Durante o dia, a festa realmente bomba! Artista de rua, apresentações, concertos e muita Sangria preenchem os dias e as noites. A roupa obrigatória consiste em camiseta e calça brancas, com um lenço vermelho (pañuelo) e uma faixa vermelha na cintura. Os mais bêbados passam do branco para um rosa claro, devido as manchas de bebida. Os que não se vestem assim, são "giúris",turistas. 

Ás onze da noite, acontece o festival de fogos de artifício, onde a cada dia, compete uma região da Espanha. Vi os fogos de Valência, e foram demais!

Noite adentro em festa e por volta das cinco fui buscar meu lugar em uma das barreiras, para desta vez ver o encierro passar pela rua. Fiquei quase três horas pendurado em uma cerca para ver os touros passarem. Se foi loucura eu não sei, mas acabei conversando bastante com o pessoal que estava ali. E entendi porquê no dia anterior as pessoas ficavam tão bravas quando eu perguntava se podiam dividir um pouco do espaço comigo. Haja perna!

Por vezes pensei que aquilo tudo não era uma coisa muito certa de se fazer, mas essa é uma tradição importante na Espanha e eu precisava ao menos conhecê-la, para poder formar uma opinião. Ao fim, descobri que gostei mais dos encierros que das touradas, pois nestes os animais nem sequer são feridos. Uma experiência que ficará memorizada.


Segue o vídeo:


Um abraço maior que o Atlântico!


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