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Máfias e Vulcões - Parte 2

Este post é continuação do relato "Máfias e Vulcões" que mostra a viagem que fiz explorando Napoli e as cidades do sul da Itália. A primeira parte está alguns textos atrás aí no blog. Aconselho ao caro leitor, que a leia antes de continuar lendo este depoimento, segue o link:

Acordei com aquele estrondo que fez o vagão tremer. Ainda meio zonzo, naquele acordar confuso, levei alguns segundos para me situar que estava em uma cabine "colchete" da Trenitalia. Abri a cortina e dei de cara com o sol,  extremamente brilhante, refletindo sobre o mar azul. O trem estava entrando em um navio.

Sim, caro leitor. É isso mesmo que você leu a pouco. O trem entrou em um navio! Estávamos na estação de Villa San Giovanni, mais precisamente bem no "bico" da grande bota, prestes a sair do continente, para atravessar o estreito de Messina e chegar à maior ilha do Mediterrâneo, a Sicília.

O trem "entrando" no Navio - Meio difícil de ver, mas era o único ângulo que câmera conseguia pegar.

Certamente que um trem todinho entrar em um navio foi uma das minhas grandes atrações naquele dia. Confesso que quando eu olhava o itinerário da viagem, onde apareciam os trens que eu viajaria para chegar a Palermo, achava normal um dos ícones indicar um barco. Obviamente, pois precisava atravessar o estreito, que eu já sabia que não era ligado por nenhuma ponte. Agora como eu iria imaginar que o barco atracaria ao final do percurso da ferrovia, abriria uma porta, feito a boca na "Baleia de Jonas", e engoliria o trem inteiro. Na volta fomos ver este encaixe de perto!

Após este despertar alvoroçado devido à surpresa matinal, navegávamos no trem, (que situação única - navegar em um trem!) com destino à esta ilha que é famosa por ser o lar dos mafiosos de O Poderoso Chefão. Seriam verdadeiros todos aqueles boatos sobre a periculosidade deste lugar? Me sentia mais ou menos como quando estive em Taranto, na Puglia, semanas antes: Receoso.

Nosso destino naquele dia era Palermo, a cidade principal da ilha, como uma capital de estado aqui no Brasil. Chegamos a estação de Palermo Centrale por volta das oito da manhã, com todas as necessidades básicas possíveis! (Se você leu a parte 1 viu como foi a noite anterior). Mais uma vez a solução foi recorrer ao "Santo McDonalds de cada dia", acolhedor dos viajantes famintos, dos backpackers cansados, dos importunos utilizadores de internet sem fio, protetor do frio e dos ladrões; e  grande utilidade daqueles que simplesmente não tem papel higiênico em casa! 

Necessidades resolvidas, saímos por Palermo. Seguindo a rotina, passamos num Info Point, pegamos o mapa temático da cidade e já me dei conta que estava perto de um dos maiores mercados de rua da Italia. Entrando pelas ruelas, nada retangulares, ás vezes levando uma buzinada das Vespas que passavam a torta e direita. Meu Deus como tem Vespas no sul da Itália!

Morangos de Palermo
Encontrei os morangos mais belos da minha vida nesse mercado. Me proporcionaram belas fotos, uma ótima sensação ao prová-los e uma boa cara feia do vendedor Siciliano quando eu disse que não queria comprá-los! Aliás não foram só os morangos que me surpreenderam! Tudo o que era vendido naquele mercado parecia ter sido cuidadosamente selecionado antes de ser posto à mostra. Comprei um pacote de cerejas por um euro, que me foram mais que suficientes para aquela manhã.

A maioria dos produtos vendidos ali eram do gênero alimentício, mas existiam também algumas antiguidades e vestimentas. Algumas bancas vendiam produtos variados, desde amendoins até souvenires. Por falar em souvenir, o Don Corleonne era imã de geladeira, chaveiro, caneca  e assim por diante.

Atravessamos a cidade num caminhar lento, prestando atenção em tudo à nossa volta. Estava à procura do "Octógono do Sol" ou "Os Quatro Cantos". Se trata de um cruzamento entre duas ruas importantes de Palermo, onde os quatro edifícios que delimitam o entorno são de arquitetura praticamente igual.  Cada um deles representa uma estação do ano, um ponto cardeal e um dos patronos da cidade. 


O próximo ponto que procurei, ali perto dos "Quatro Cantos" foi a "Praça da Vergonha". Possui este nome basicamente por duas razões: Para a sua construção foram demolidas várias residências e porquê suas estátuas estão todas nuas. É uma praça circular, branca, com uma fonte central cheia de estátuas à sua volta. 

Quando cheguei, me deparei com um gradil metálico fechando o entorno da praça. Perguntei a um cidadão: "Quando abre?" . Ele respondeu: "Não se abre desde os anos 90". A depredação das estátuas fez com que prefeitura de Palermo adotasse desta medida para proteger o patrimônio artístico dos vândalos. Com mais calma pude ver algumas estátuas sem nariz.


Praça da Vergonha
O Parque Orto Botânico de Palermo era a próxima parada. Na sua entrada estão disposta várias palmeiras que me fizeram lembrar a "Rua das Palmeiras", ponto turístico da minha cidade, Joinville. Sob as árvores fizemos nosso lanche.


A Rua das Palmeiras?
Encontramos na beira mar estas "camas" de concreto, que você vê na foto abaixo. Possuíam até travesseiro! Tiramos alguns minutos para provar do conforto que elas ofereciam. Diga-se de passagem que naquele dia frio de inverno, após uma noite mal dormida, ficar estirado naquele sol era ótimo! 

Antes de voltarmos à estação, passamos pela Catedral de Palermo. Esta foi a centésima igreja que eu entrei desde a saída do Brasil. Uma catedral grande e imponente. Haviam algumas excursões, assim como em Aparecida do Norte aqui no Brasil. Na hora lembrei das viagens da minha avó querida!


Descanso pós Almoço

Resolvemos sair de Palermo mais cedo, e mudar a rota para Catânia, parando em Messina. Queríamos ver aquele "encaixa-trem-barco" com mais detalhes. E assim foi feito. Acabamos chegando em Catânia depois da meia-noite, com os bilhetes já vencidos.

Catânia, uma cidade aos pés do imponente Etna. O maior vulcão Europeu e o mais ativo também. 27 dias antes, havía visto na TV que ele havia entrado em erupção. Aquilo era o máximo! Quem diria que quando eu chegasse ao albergue descobriria que existiam excursões para subir até o seu topo!?



Numa mudança rápida de planos, substituímos o passeio em Catânia do dia seguinte, pela emocionante aventura de subir ao Etna e descê-lo numa prancha de SnowBoard! Até hoje lembro da sensação do vento cortando o rosto quando descia aquilo! 


Ao fundo, um pouco da fumaça da Chaminé Principal

Estávamos a mais de 3000 metros de altura, desfrutando de um paisagem magnífica! Abaixo do ponto onde estávamos podíamos ver outras chaminés já extintas, as nuvens e bem ao fundo o mar! Um pouco mais acima, fora das trilhas, era possível ver a chaminé principal, expelindo uma fumaça branca. Aquilo tudo era demais!


Chaminés extintas, e quando as nuvens permitiam, dava pra ver o mar.

Com certeza este dia trouxe uma das experiências mais marcantes de toda a mianha viagem! Com essa última experiência no Etna, fazia jus ao nome da viagem: "Máfias e Vulcões". Agora nos restava entrar num trem e acordar em Ferrara! Felizes da vida!


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