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Cinque Terre

Quando se pensa em visitar a Itália vêm logo à cabeça cidades como Roma, Florença, Veneza, Pisa. Não tiro o mérito delas, e muito pelo contrário, digo que são destinos obrigatórios a qualquer "turista com a cabeça no lugar" (principalmente Roma).

Para quem possuir um "apego" maior pela Itália, ou for dono de maior tempo para visitar o país, ou ainda simplesmente quiser fugir da "rota tradicional", indico conhecer um lugar...melhor, cinco lugares na região da Riviera Italiana, na Lígúria,  que são conhecidos como Cinque Terre (Cinco Terras). É sobre esse encanto de lugar que escrevo hoje.

Era o final da terceira semana na Itália quando decidimos ir a Cinque Terre. Recentemente havíamos comprado nossas bicicletas, o tempo estava bom, a vontade de viajar era enorme, sabíamos que as cinco cidadezinhas eram bem próximas umas das outras, então não deu outra: Colocamos as bicicletas no trem e fomos para lá!

Foram cinco horas de viajem até chegarmos a Riomaggiore, a primeira das cinco cidades. Quando descemos do trem já era noite e a picolina estação parecia deserta. Muito diferente do normal, ao sair da estação não me deparei com carros, nem com ruas e  nem com casas. O que víamos era a costa de um penhasco e havía um único caminho, um túnel que adentrava ao maciço rochoso.

As bandeirolas de Riomaggiore
Era um túnel de pequenas dimensões destinado ao tráfego de pessoas. Entramos no túnel de bicicleta, e pelo jeito as pessoas não gostaram muito. No final do túnel havia uma escada, e após subir o último degrau da escada, havia uma imensa súbida. De fato andar de bicicleta naquela cidade não seria uma boa idéia.
Empurrando as bicicletas fomos em busca de um albergue, afinal eram quase oito e não havíamos reservado nada ainda.

A cidade era basicamente uma única rua (em alto declive) onde haviam edificações dos dois lados. Um mercadinho aqui, uma padaria ali, um restaurante do outro lado. As varandas ostentavam as flores que ainda resistiam ao outono. Nas paredes, penduradas as lamparinas como na época medieval.Em alguns trechos da rua, atravessavam, fios repletos de pequenas bandeirolas coloridas, como em tempo de festa. Aquela era Riomaggiore.

Encontrado um albergue, negociado, pago, bicicletas cadeadas, fomos procurar o que comer. Devido ao horário não encontramos nenhum mercado aberto, então decidimos comer uma pizza mesmo. Nessa procura por onde comer, visitamos praticamente toda a cidade.
Ponto mais alto de Riomaggiore
No dia seguinte tiramos algumas fotos em Riomaggiore, fomos até uma igrejinha no ponto mais alto da cidade; descemos até o pequeno porto de pescadores. E assim já podíamos ir para a próxima cidade.

Após visitarmos o information point e descobrirmos que não seria possível usar as bicicletas nas trilhas de Cinque Terre, prendemos todas juntas em um muro perto da estação. Na volta passaríamos pegá-las.

Esse lugar na Itália é uma parte da costa do Mar Mediterrâneo onde quase não existem praias, isto é, as ondas batem direto em imensos paredões rochosos, algumas vezes com dezenas de metros de altura. Devido a localização ser dona de um terreno muito irregular, o acesso à algumas cidades só se faz pelo mar ou pela Ferrovia Gênova-La Spezia.

Além da ferrovia, existe uma outra ligação entre as cidades, uma trilha chamada Sentido Azurro. Essa trilha liga todo o litoral da região, e percorrê-la é tarefa obrigatória de qualquer "turista que se preze", pois este é o melhor modo de conhecer o local. São cinco horas caminhando sobre os paredões em trechos de pedra, cascalho, grama e até barro. Algumas vezes dentro da mata, outras vezes com o sol quente sobre a cabeça; mas sempre é possível ver e escutar o mar da Lígúria, que me parece ser mais azul que o normal.
O Sentido Azurro

The Love Lockers
O trecho mais famoso na trilha, é a primeira etapa que liga Riomaggiore a Manarola, que é chamada Via dell'amore (Estrado do Amor). É o único trecho totalmente revestido, seja por paralelepípedos, concreto ou pedras encaixadas. Em todas as cercas, portões e proteções do caminho, estão presos milhares de cadeados, contendo o nome de casais que naquele local juraram amor eterno; fecharam seus cadeados e jogaram a chave no mar; selando assim suas juras e promessas de amor.

Esse é um costume que observei em várias outras cidades na Europa, como Paris, Londres, Florença, Veneza e até mesmo em Ferrara. Geralmente em pontes ou na beira do mar sempre tem um cadeadinho, ou um aglomerado deles.

Confesso que em um dia de tempo ótimo, com céu e mar azuis cintilando daquele jeito, naquele trajeto romântico lembrei e pensei muito em uma pessoa que desejei que estivesse ao meu lado compartilhando aquele momento. Com certeza qualquer um que passe por aquele lugar sozinho se sentiria assim, mas deixemos isso de lado, o foco é outro!
A movimentada Manarola
Terminada a Via dell'amore, chegamos a Manarola: Uma cidadezinha minúscula, menor que Riomaggiore, e totalmente sem automóveis. Quase como uma vila de pescadores, com muitos barcos empilhados cuidadosamente em seus cem metros de litoral. Acreditem, cem metros de litoral apenas!

Cada casinha em uma cor, juntas à todos aqueles barcos e ao dia lindo que fazia, sem dúvidas as fotos ficaram demais. Algumas delas, estão na seleção "Melhores de 2010", e um dos posts passados. Em Manarola vi pela primeira vez o Spaghetti Nero di Seppia (Espaguete Preto com Lula), que me chamou muita atenção.

Continuando pela trilha, chegamos à Corniglia. Dentre as Cinque Terre Corniglia é a única que não está posicionada na beira do mar. A cidade foi construída sobre um morro e é circundada por vinhedos de schiaccetrà (uva exclusiva da região que obrigatoriamente deve ser provado), com maior ocorrência deles no lado exposto ao mar.

 Para sair da estação e chegar a cidade é necessário subir uma série escadas e rampas que fazem um "zigue-zague", e não é pouca coisa não. Um túnel atravessa por baixo da cidade, por onde passa a ferrovia, portanto se você não descer do trem e subir as escadas você não chega nem a "bater os olhos" em Corniglia.
Escadaria em Corniglia

Depois de Corniglia, a próxima cidade da trilha é Vernazza, que dentre as cinco, foi  a que mais gostei. Vernazza, tem um quebra mar em quase todo o seu pequeno litoral, onde se concentram muitas pessoas pescando e aproveitando a lagoa para seu lazer. Um restaurante situado em um mirante e um farol apoiam-se em um dos cantos da praia, enquanto o outro é dominado pelo paredão de vinhedos.
A "simpatia" de Vernazza
É a cidade mais "simpática", com vários restaurantes com mesas e cadeiras nas ruas apertadas; poucos carros; bastante gente aproveitando o fim de tarde, inclusive nós: Sentamos no quebra mar, e aguardamos ansiosamente pelo primeiro "por do sol no mar da nossa vida". Afinal, no Brasil, o sol nasce no mar, já no Mediterrâneo o sol toca o mar no final da tarde!
O sol "tocando" o Mediterrâneo
Já com todas as luzes da cidade acezas, estávamos preocupados em procurar um lugar para ficar. Ligamos para alguns hotéis e albergues em Vernazza (oportunidade para treinar o italiano até então travado) mas não encontramos nada devido ao dia e ao horário. Resolvemos ir para a estação e pegar um trem para Monterosso, um trem que levou dois minutos.

Descemos em Monterosso, e nos deparamos com uma cidade bem diferente das outras quatro. Digamos que estávamos na cidade da vida noturna, das festas. Parecia uma praia brasileira em alguns lugares, com uma beira mar razoável e com uma faixa relativamente extensa de pedriscos a beira mar, pois dificilmente encontramos areia nas praias dessa região.

Encontramos um hotel do outro lado da cidade, fomos até lá andando, e com isso tivemos uma boa noção do que era aquele lugar. Nos acomodamos, tomamos banho, resolvemos sair dar uma volta e descobrimos que estava tendo um festival de música naquela noite. Era um festival bem parecido com estes de paróquias no Brasil, musica sem graça, famílias reunidas e a criançada correndo na praça. O ponto bom era que tinha um "aperitivo" para o público em geral. Obviamente ficamos "curtindo um pouco da banda local".

Andando pelas ruelas mais longe da praça principal encontramos um bar mais agitado. Entramos e nos deparamos com uma festa de aniversário, onde a aniversariante estava pagando a comida e cada um pagava sua bebida e aproveitava. Conversamos com ela e aproveitamos para conhecer mais alguns aperitivos italianos.

No dia seguinte, domingo, passamos em uma rua do comércio para comprar o café da manhã e alguns souveniers. Andamos pela praia de seixos e subimos nessa imensa pedra aí da foto ao lado. No final da praia encontramos uma escultura feita nas rochas em forma de um gigante, que é um dos pontos turísticos da cidade, mas não adianta perder tempo falando mais dele aqui.

Após o almoço, voltamos andando para Vernazza para completar a parte da trilha que faltava. Lá pegamos um trem para Riomaggiore, onde descemos pegar nossas bicicletas, que graças a deus ainda estavam lá.

Ao terceiro entardecer depois que saímos voltávamos exaustos e satisfeitos para casa.


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